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É proibido proibir! - MUDE
É proibido proibir! - MUDE



É PROIBIDO PROIBIR! no MUDE – Museu do Design e da Moda

O MUDE – Museu do Design e da Moda vai inaugurar, no piso 1, a Exposição É proibido proibir! no próximo dia 29 de Outubro, pelas 19 h. É proibido proibir! propõe-se viajar no tempo, remetendo para os finais dos anos 60 e início dos 70, através de uma apresentação de cerca de 60 peças, cruzando o design e a moda com o cinema, a literatura e a música, de modo a poder retratar a riqueza desta época.

É proibido proibir! pode ser visitada até ao próximo dia 31 de Janeiro de 2010, no piso 1, do MUDE, na Rua Augusta.

Informações adicionais
MUDE - Museu do Design e da Moda | Rua Augusta, 24, 1100 – 053 Lisboa
Tel. + 351 21 888 61 20
mudemuseum@gmail.com
www.mude.pt


“É proibido proibir!”, “Debaixo das pedras da calçada, a praia!” e “Quanto mais faço amor mais tenho vontade de fazer a revolução (e vice-versa)” são três slogans, escritos nas ruas de Paris em 1968, por entre graffitis e cartazes, que traduzem bem o espírito de libertação, contestação e revolução sexual em curso.

Enquanto se discutia apaixonadamente, dia e noite, um novo futuro, a sociedade de consumo, as instituições e a moral vigente, fazia-se a apologia do prazer e do amor livre, recusando os costumes e as normas sociais. No outro lado do Atlântico, gritava-se Make Love, Not War. Vivia-se sob o espírito da contracultura e do flower power.

As palavras e a música d’É proibido proibir! que Caetano Veloso cantou em 1968 no âmbito do movimento Tropicália recebem os visitantes e dão o mote para o que esta exposição quer evocar: o final dos anos 60 e o início dos anos 70, como um tempo de forte contestação, experimentalismo, multiculturalismo, demolição dos estatutos e procura de uma plena liberdade.

No design, uma revolução estava também em curso. É essa revolução que esta exposição apresenta porque muitas das atitudes, pesquisas e reflexões do nosso tempo podem encontrar neste período os seus antecendentes, resultam dessas rupturas e utopias, nomeadamente a consciência e o compromisso de intervenção do design (presente nos movimentos de anti-design) ou o gosto claro pela experimentação e contaminação com as outras artes.

A exposição coloca o enfoque no continente europeu, sobretudo em Itália e Inglaterra, Milão e Londres, respectivamente. A exposição organiza-se em núcleos temáticos sobre o espírito de contracultura e anti-design, a efemeridade e a performatividade das propostas, o estar em colectivo e o vestuário como protesto. As peças apresentadas espelham a crise da sociedade de consumo, das instituições e da moral vigente que caracterizou a segunda metade dos anos 1960 e os primeiros anos de 1970. A atenção centra-se no corpo, não no corpo sentado, deitado ou em pé, mas antes num corpo em liberdade, em permanente mudança de posição, um corpo cuja posição indefinida e sempre em movimento exige do objecto que utiliza e apropria a mesma capacidade de se ajustar e convidar esse mesmo corpo a manter compulsivamente essa ambiguidade de posição. Um corpo que rompe com a Autoridade e que procura novos espaços de vivência, novos modelos de assento e novo vestuário, seguindo uma lógica de prazer. É esse corpo que dá a forma aos próprios objectos com atitudes de descontração, prazer e liberdade, que os transforma, que lhes dá sentidos. Por isso, uma das tipologias em destaque é o móvel de assento que se transforma, é mais efémero, performativo e modular, nómada, retratando as mentalidades em mudança. Mesmo na esfera individual, vive-se e habita-se no colectivo. Assiste-se assim a uma radical alteração (formal, funcional e simbólica) dos objectos e dos espaços, em todas as formas de vivência do quotidiano. A revolução está na rua e esta invade todo o quotidiano, com uma contangiante energia. É essa energia que queremos revisitar. A moda espelha também as novas atitudes, mentalidades e comportamentos em revolução: as maxi-saias que foram destronando a minisaia, símbolo de toda a década; a invasão de coloridos tecidos estampados, do unissexo, das roupas hippies, das maquilhagens psicadélicas, dos motivos psicadélicos e étnicos. Por outro lado, assiste-se à entrada da moda de rua na alta-costura. A contracultura da época traduz-se ainda no shock-chic e na antimoda, esta última mais agressiva, de roupa rasgada ou perfurada, com slogans antisistema e anti-burguesia, que mostram o advento do punk.

Destaque para Archizoom Associati, Studio 65, Gruppo Architetti Urbanisti Città, Grupo G14, Grupo Sturm, Superstudio, Eero Aarnio, Pierre Paulin, Verner Panton, Joe Colombo, Gaetano Pesce, Piero Gatti, Cesare Paolini, Franco Teodoro, Roberto Matta, Jonathan de Pas, Rodolfo Bonetto, Achille Castiglioni, Marco Zanusso, Gianni Ruffi e Ettore Sottsass. Na moda, evidenciam-se Biba, Bill Gibb, Courrèges, Emilio Pucci, Missoni, Mary Quant, Ossie Clark, S'angelo, Thea Couture Porter, Vivienne Westwood e Zandra Rhodes.

A exposição vive ainda de um grande suporte de imagem em movimento, da palavra escrita e da música, incluindo os principais nomes que revolucionaram este período.
 
 
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