Pedro Cabrita Reis é um dos mais internacionalizados artistas portugueses, com numerosas presenças nos museus europeus. Revelado na década de 1980, a sua obra rapidamente se expandiu do campo da pintura (indiferentemente abstrata ou figurativa) para o da escultura e da instalação, tendo sempre em conta os espaços arquitetónicos ou urbanos em que se insere.
"Pedro Cabrita Reis é um dos mais internacionalizados artistas portugueses, com numerosas presenças nos museus europeus. Revelado na década de 1980, a sua obra rapidamente se expandiu do campo da pintura (indiferentemente abstrata ou figurativa) para o da escultura e da instalação, tendo sempre em conta os espaços arquitetónicos ou urbanos em que se insere.
O seu processo criativo é omnívoro na vontade de recuperação/integração dos sinais da vida urbana ou rural, oriundos da "alta" ou da "baixa" cultura.
A partir de destroços, fragmentos rejeitados, objetos banais e anónimos associados de modo inesperado e eficaz, o seu objetivo é magnificar, através de grandes gestos de imposição discursiva, sinais do que poderia ser visto como uma queda civilizacional.
Usando e beneficiando de todos os recursos garantidos pela sucessão de revoluções da modernidade, Cabrita Reis insiste na continuidade e eficácia da grande arte pré-moderna, num arco que o leva do renascimento ao romantismo, do interesse pela grande escultura e pintura áulicas (cujos mestres frequentemente cita) ao fascínio pelo pequeno colecionismo das Wunderkammer ou Cabinets de Curiosités.
Na Galeria Oval do MAAT Gallery, Cabrita Reis apresenta um vasto conjunto de séries de pintura, desenho e escultura, propositadamente realizadas para esta exposição. Somando quase duas centenas de obras inéditas, esta exposição consolida as investigações do artista e aprofunda a sua ligação com os grandes temas e mestres da arte posterior ao renascimento.
*O título Pedro Cabrita Reis — «com o coração livre de cuidados» tem origem numa passagem de Hesíodo, em Trabalhos e Dias, dedicada à «Idade de Ouro», tempo primordial em que os homens viviam «como deuses», sem sofrimento, fadiga ou inquietação."