Este festival traz, através de várias atividades, entre concertos e conferências, a criação musical da atualidade.
O Festival Música Viva 2026 afirma-se como um palco de resistência estética e ética num mundo atravessado por crises profundas: a consolidação de poderes hegemónicos, o agravamento das desigualdades, a normalização da tirania, o massacre e a erosão progressiva da humanidade e da natureza. Perante este estado do mundo, o festival assume a insurgência como necessidade vital num gesto consciente contra a inércia, o silenciamento e a indiferença.
Nesta 32ª edição, Insurgência é simultaneamente poética e política. A criação musical surge como acto de confronto, de desvio e de recusa, afirmando a arte como arma sensível contra a violência estrutural, a desumanização e a lógica do medo. As obras apresentadas não procuram o conforto, mas antes a fricção: questionam, expõem feridas, abrem fissuras e convocam novas formas de escuta, pensamento e presença.
O programa cruza linguagens, gerações e geografias, reunindo artistas que desafiam modelos dominantes, exploram os limites do som, do corpo, da palavra e da tecnologia, e afirmam a contemporaneidade como espaço de urgência, pluralidade e risco; encontros que propõem e constroem um percurso de escuta intensa e de reflexão crítica sobre o nosso tempo.
No Festival Música Viva 2026, insurgir é ainda resistir à uniformização do gosto, é criar contra a violência da repetição, é afirmar a arte como lugar de liberdade, imaginação radical e responsabilidade. Num mundo em colapso, a música torna-se um acto de insubmissão e de esperança ativa.