Cantata Coral Sinfónica de Nuno Côrte-Real
O poema épico Ode Marítima, de Fernando Pessoa (heterónimo Álvaro de Campos), é sem dúvida um dos expoentes máximos da poesia portuguesa de todos os tempos.
A ação deste longo e dramático poema, comparável aos grandes poemas de Homero, desenrola-se num cais de Lisboa, por entre navios de todos os portes que vão entrando e saindo, e com eles vai viajando a imaginação do eu-narrador, pretexto para os mais radicais pensamentos, ora de ternura sincera, amorosa, ora da mais brutal violência e imoralidade.
Por entre esta quase esquizofrénica dinâmica emocional, o ritmo das palavras atinge graus de intensidade díspares, oferecendo ao leitor/ouvinte uma extrema variedade de estados de espírito, com partes lentas e outras de grande frenesim com um elevado débito de palavras, muitas vezes apenas enumerativas sem qualquer desenvolvimento dramático. A Cantata Coral Sinfónica que aqui se apresenta assenta a sua estrutura musical justamente nesta amplitude rítmica ondulante, seguindo a ordem temporal do poema, numa alternância contínua e gradativa entre blocos com música estática e outros com música vertiginosa, entre passagens de cores corais/sinfónicas suaves e ternas, com outras de grande amplitude sonora e violentas.
Orquestra Filarmonia das Beiras
Coro do Festival de Verão
Direção musical Paulo Lourenço
Solistas:
Barítono André Henriques
Violoncelo Filipe Quaresma
Guitarra portuguesa Miguel Amaral
Narrador Vítor D’Andrade