Para a sua primeira grande exposição em Portugal, Rosa Barba «redesenha» os seus vocabulários através de instalações «site-specific», performance, filme e som.
O trabalho de Rosa Barba (Itália, 1972) aborda frequentemente a justaposição de paisagens naturais e alterações ambientais provocadas pelo ser humano, histórias de arquivo e visões do futuro, bem como as proximidades entre astronomia e cinema, recorrendo ainda a não-atores como testemunhas. No centro desta abordagem reside uma reflexão contínua sobre a impermanência – dos materiais, das imagens e do próprio pensamento.
Em Desenhar Vocabulários, estas preocupações manifestam-se na presença física da película de celuloide e de aparelhos cinematográficos, utilizados não só para criar imagens em movimento, mas também como elementos escultóricos autónomas. A exposição funciona como um filme tridimensional e, simultaneamente, como uma partitura musical – na qual o cinema permite que tempo e espaço vibrem, se desmoronem, se sobreponham e se expandam.
O título Desenhar Vocabulários sugere processos instáveis e em aberto. Evoca explorações prolongadas de espaços liminares e a flexibilidade de reorganizar o espaço, desconstruindo o aparato cinematográfico e o ambiente fílmico para revelar dimensões para além do cinema.