A quarta exposição individual de João Bragança Gil (Lisboa, 1989), “to whom it may concern,” é apresentada nas Carpintarias de São Lázaro, de 15 de maio a 19 de julho.
Funcionando como uma carta aberta lançada nas profundezas dos servidores, que se infiltra nas fissuras do panorama digital, interrogando as suas promessas, ruínas e fantasmas.
A exposição convoca um projeto de investigação em que Bragança Gil reúne vestígios, esculturas, artefactos, vídeoinstalações e imagens eletrogravadas, compondo um território instável onde memória e simulação se contaminam.
A euforia utópica virtual dá lugar a uma desilusão difusa, num ambiente caleidoscópico e inquietante, onde persistem ecos de sistemas obsoletos e promessas falhadas.
Entre superfícies que parecem respirar e fragmentos de um arquivo em decomposição, emerge a ressaca cibernética — um estado suspenso entre sedução e decadência — revelando a desilusão pósutópica de uma ingenuidade virtual que não se sustenta, mas persiste como assombração.